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Substituto de Deltan na Lava Jato, Alessandro Oliveira diz que críticas de Aras são “bem-vindas”

Substituto de Deltan na Lava Jato, Alessandro Oliveira

Adotando um tom pacificador, novo coordenador amenizou os conflitos da operação com o procurador-geral da República

Hoje foi dia de Lava Jato por aqui. Depois da minha conversa com o procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa em Curitiba, entrevistei o procurador escolhido para ser seu substituto, Alessandro Oliveira. Adotando um tom pacificador, ele amenizou os conflitos recentes com o procurador-geral da República, Augusto Aras – que já criticou o modelo de forças-tarefas e sugeriu ser contrário à prorrogação da operação.

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“As ideias podem se chocar. Tensões de posicionamentos e convicções são naturais. É natural a apresentação e o recebimento de críticas em relação ao trabalho da Lava Jato. Nós, como integrantes, precisamos estar atentos para separar o que é crítica construtiva e o que é destrutivo, o que é crítica parcial de alguém que quer apenas a destruição do novo modelo inaugurado pela Lava Jato.”

“Eventuais críticas proferidas pelo procurador-geral são recebidas no primeiro caminho. São críticas que devem ser levadas em consideração para sempre aprimorarmos o sistema. Afinal, não existe instituição ou categoria acima de qualquer crítica. Elas devem ser sempre bem-vindas para que haja um movimento interno de autorreflexão para verificar se elas podem ou não ter algum fundamento. Esse processo dialético é responsável pela evolução da própria postura da Lava Jato”, completou Alessandro Oliveira.

Mas é claro que, por outro lado (e aí não está a figura do procurador-geral), existem críticas que têm interesse corrosivo de destruir a operação. Críticas de pessoas investigadas ou com perspectiva de serem investigadas, por exemplo, são recebidas com muitas ressalvas. Não tem a imparcialidade necessária.

Um eventual atrito entre a Lava Jato e o procurador-geral tem sido levantado especialmente após o pedido de demissão coletiva dos procuradores da força-tarefa de São Paulo. Dallagnol, por sinal, sugeriu mais cedo aqui ao blog que a “debandada” pode ter tido “um ambiente de pressões e retrocessos” como pano de fundo. Alessandro Oliveira, porém, não comentou o caso e também amenizou a existência de um conflito entra a operação e o Supremo Tribunal Federal.

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“O Supremo, como o nome indica, é o Supremo. É o guardião da Constituição. Essa relação é intensa e necessária. Em relação a decisões recentes que eventualmente limitaram o alcance dos avanços da Lava Jato, cabe a nós argumentar e tentar convencer os ministros da importância de algumas medidas (…). Não vejo nos ministros qualquer acordo ou tentativa intencional de limitar a operação. São apenas posições que contrariam as nossas.”

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