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Acidente com ônibus clandestino em Taguaí e o jeitinho de criar dificuldade para vender facilidade

Ônibus envolvido no acidente em Taguaí

Por que o ônibus estava circulando? A resposta é óbvia: não há interesse algum em fiscalizar

O desfecho do acidente desta quarta-feira (26) na rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho (SP-249), entre as cidades de Taguaí e Taquarituba, região de Avaré (SP), foi exatamente como prevíamos. Desde a cobertura especial que fizemos pela manhã na Rádio Bandeirantes, já falávamos que o número de mortos ainda iria aumentar, que a rodovia em que ocorreu a colisão provavelmente teria uma série de problemas e que o ônibus que transportava os passageiros talvez não fosse regular. Não deu outra.

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Os óbitos chegaram a 41. Os moradores da região disseram que a estrada não possui fiscalização e nem policiamento. Mais do que isso, revelaram que, com a construção de pedágios próximos, ela – antes uma via erma e pouco utilizada – passou a ter um movimento muito maior devido aos veículos, especialmente caminhões, que passaram a utilizá-la para escapar do pagamento das tarifas (usualmente abusivas, como todos sabemos).

O acidente em Taguaí era, sim, evitável. A rodovia já estava dando sinais há muito tempo de que as condições de circulação ali eram precárias. Mostramos aqui no blog, inclusive, que um pai e sua filha morreram no mesmo local há pouco mais de um mês. Essa tragédia não foi suficiente para que as autoridades prestassem mais atenção na estrada?

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Além disso, o ônibus era o quê? Clandestino para variar! Segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), ele não tinha autorização para realizar esse tipo de serviço. Por que estava lá então? A resposta é óbvia: porque não há fiscalização! Não há interesse em fiscalizar. Nem em Taguaí nem em lugar nenhum. E depois do acidente os responsáveis vêm com as desculpas de sempre. Aliás, se for para dar as desculpas de sempre, nem quero ouvir.

O Brasil infelizmente tem isso: um jeitinho de criar dificuldade para vender facilidade. O mais cruel de tudo é que essa ladroeira pode custar vidas.

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