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Marcelo Ramos chama nova pasta de “ministério para o emprego do Onyx”

O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM)

Vice-presidente da Câmara ironizou a reforma ministerial anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro

Vice-presidente da Câmara, o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) criticou nesta quinta-feira (22) em entrevista à Rádio Bandeirantes a reforma ministerial anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro, sugerindo que uma nova pasta será criada apenas para garantir um cargo a Onyx Lorenzoni (DEM).

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Mais cedo, Bolsonaro confirmou, como já havia adiantado ontem (21), que esvaziará o Ministério da Economia de Paulo Guedes para recriar o Ministério do Trabalho com o nome de Ministério do Emprego e Previdência. A pasta será liderada por Lorenzoni, que deixará a Secretaria-Geral da Presidência. O presidente também reafirmou que “a princípio” o senador Ciro Nogueira (PP-PI) assumirá a Casa Civil, com Luiz Eduardo Ramos passando para a Secretaria-Geral.

Marcelo Ramos ironizou ainda a aproximação do governo federal com o centrão, bloco do qual Nogueira é um dos representantes.

“Eu fico imaginando o constrangimento do general Augusto Heleno, que disse anteriormente que, no centrão, se gritasse ‘pega ladrão’ não ficava um. E hoje você tem essas pessoas que foram criticadas ocupando postos importantes. As críticas não são ao centrão, mas à demagogia do presidente. Esses partidos sempre deram estabilidade ao país, sempre garantiram aprovação de pautas importantes”, disse.

“Em relação ao Ministério do Emprego, ele é um programa: ‘programa emprego para o Onyx’. Apenas garantir o emprego dele. O controle continua com o ministro Paulo Guedes. A falta de política para emprego e indústria só se reafirma a cada dia. Vejo muita gente comemorando que o Brasil vai crescer 5% neste ano. É como se esquecessem que ele decresceu 4% no ano passado”, completou.

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Marcelo Ramos comentou ainda os motivos pelos quais deixou de apoiar Bolsonaro e passou a se considerar oposição ao governo federal.

“Bolsonaro, com todo o respeito institucional que ele merece como presidente, e não como pessoa, não tem o tamanho da cadeira. Ele é pequeno, não tem noção do que é importante. Se você perguntar o que ele fará para diminuir o desemprego, não consegue falar 15 segundos. Sobre vacina, fome… Não consegue. Não tem noção do que seja governar um país. Por isso cria uma crise atrás da outra, para alimentar o governo dele. Quem não sabe governar precisa de crise. Todos torcíamos para que desse certo. Eu sou deputado, tenho compromisso com o país. Me decepcionei. Não posso seguir apoiando quem brincou com a morte de 540 mil brasileiros.”

Fundão de R$ 5,7 bilhões

O deputado comentou também a recente troca de acusações entre ele e o presidente envolvendo o aumento do fundo eleitoral de 2022 para R$ 5,7 bilhões aprovado pelo Congresso. Bolsonaro disse que Ramos foi o culpado por não ter separado o fundão da LDO [Lei de diretrizes orçamentárias]; o deputado, por sua vez, respondeu que, em vez de vetar, o presidente só pensa em responsabilizar alguém.

“Vou ser didático. Só quem pode encaminhar a LDO ao Congresso é o presidente. É uma competência exclusiva dele. Portanto foi ele que encaminhou a lei. Como sou justo até com quem não é justo comigo, preciso dizer que na lei que ele encaminhou não tinha essa previsão de R$ 5,7 bi. Mas houve uma reunião na residência pública oficial sob coordenação do presidente da Câmara, Arthur Lira [PP-AL], com os líderes dos partidos da base do governo e com líderes do governo, em que decidiram incluir na LDO esses R$ 5,7 bi. Eu não estava lá. Depois [o texto] foi para a Comissão Mista de Orçamento, da qual eu também não sou membro. Por indicação desses líderes foi incluído o relatório. Eu só coloquei para votar.”

“Sem o presidente saber e apoiar seria impossível que fosse aprovada. Ou você conhece alguma matéria contra ele que foi aprovada na Câmara nos últimos anos? (…). O presidente tenta terceirizar responsabilidades e comete uma deslealdade com quem só trabalhou para ajudar o país. Eu desconfio que fui vítima de uma grande armação dele de aprovar R$ 5,7 bi para vetar e depois encaminhar um projeto de R$ 4 bi, mais do que o dobro do valor atual. Vamos esperar para ver.”

Acesso aos pedidos de impeachment

No início desta semana, Marcelo Ramos pediu, em requerimento ao presidente da Casa,  acesso aos 127 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro. Questionado sobre os motivos pelos quais fez a solicitação, o deputado afirmou que precisa “ler e estudar para criar suas convicções” a respeito da presença ou não de crime de responsabilidade por parte do presidente.

“Eu, como deputado, preciso ter umaa convicção para que, se em algum momento o pedido for apreciado, eu decida meu voto a favor ou contra. Impeachment não é tema que se move por vingança, ódio, antipatia, mas também não se aceita ou rejeita sem analisar os requisitos. O primeiro requisito é a existência ou não de crime de responsabilidade. Estou lendo e estudando para formar minha convicção se existe ou não. Existindo, numa ausência de Arthur Lira, sou o presidente interino da Câmara e serei cobrado sobre isso. Preciso ter uma opinião.”

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