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Ministro da CGU: “CPI é para promoção política, trouxe zero contribuição para investigações”

Wagner Rosário, ministro da CGU

Wagner Rosário falou pela primeira vez sobre sua participação conturbada na comissão do Senado

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, disse nesta sexta-feira (8) à Rádio Bandeirantes que a CPI da Covid funciona apenas para “promoção política” dos senadores e que, até o momento, não trouxe nenhuma “contribuição efetiva para investigações” sobre eventuais irregularidades cometidas durante a pandemia.

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“Eu não acompanhei a CPI. Praticamente acompanhei os assuntos que cercaram a minha ida. Olhei o que foi investigado e é muito ruim, sem nenhum tipo de base, com justificativas frágeis, ilações e muitas mentiras. Do que eu pude acompanhar, e foi muito pouco, só vejo tentativa de promoção política. De contribuição às investigações, zero”, disse.

Essa foi a primeira vez que o ministro da CGU falou sobre a comissão parlamentar de inquérito desde que participou como depoente em sessão conturbada no último dia 21 de agosto.

Na ocasião, Rosário chegou a discutir com a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Tudo começou quando ela o acusou de atuar como “advogado do governo” na apuração do contrato do Ministério da Saúde com a Precisa Medicamentos para o acordo da vacina indiana Covaxin, chamando-o de “engavetador”. 

O ministro da CGU rebateu a fala da senadora e disse que ela estava “totalmente descontrolada”. A sessão chegou a ser suspensa e, após a retomada, o presidente da comissão, senador Omar Aziz (MDB-AM), informou que Rosário havia passado da condição de testemunha para investigado.

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“Fui chamado à CPI uma semana após o senador Omar Aziz me acusar nacionalmente de prevaricador. Com todo respeito que eu tenho aos congressistas, caracteriza uma irregularidade da parte dele. Temos a lei de abuso de autoridade aprovada no próprio Parlamento. Atribuir culpa a alguém antes de finalizadas as investigações é crime (…). Fui lá tentar explicar isso, mas a CPI, para quem tem algum conhecimento técnico, está longe de ser uma investigação. É um local de aproveitamento político. As pessoas mentem o tempo todo”, declarou o ministro.

“Quando a senadora Simone Tebet foi se manifestar, me agrediu algumas vezes. Pelo que lembro, me chamaram de ‘menino mimado’, ‘passador de pano’, ‘engavetador’. Falei que ela estava descontrolada, com todo respeito. Disse isso sem intuito de agredir ninguém, depois houve uma enxurrada de xingamentos na minha direção. Foi uma situação deprimente. Aquilo é feito com dinheiro público, estão ganhando salário para fazer aquilo. São milhões e milhões de reais que deveriam ser tratados seriamente”, completou.

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