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Gerente da Anvisa: procedimento para acelerar registros “não abre mão do rigor científico”

Vacina covid-19

Agência aprovou nesta semana medidas para acelerar o registro de vacinas contra a Covid-19 no Brasil

Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse nesta sexta-feira (20) em entrevista à Rádio Bandeirantes que o novo procedimento aprovado para acelerar o registro de vacinas contra a Covid-19 no Brasil “não abre mão de nenhum critério técnico”.

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“Não abrimos mão de nenhum critério, nenhum rigor cientifico de eficácia, qualidade e segurança. Isso porque a Anvisa, além, claro, de manter sua estrutura e seus requisitos, tem trabalhado há algum tempo com outras agências, como FDA (Food and Drug Administration dos Estados Unidos), EMA (European Medicines Agency da União Europeia) e outras agências de referência no mundo, e todas estão na mesma situação. O que nós estamos flexibilizando são procedimentos administrativos”, disse.

O novo procedimento foi aprovado na terça (17) e publicado na quarta (18) no Diário Oficial da União. O texto autoriza que empresas interessadas em registrar uma vacina enviem dados técnicos sobre os testes de forma contínua.

“Antes a gente tinha que esperar o dossiê inteiro para submeter a um pedido de registro. Agora permitimos que a empresa mande os dados na medida em que vão sendo gerados. Dessa forma, conseguimos fazer já análises parciais, entender o que está acontecendo durante o desenvolvimento, para poupar tempo lá na frente. Esse é maior desafio que temos como agência reguladora e compartilhamos com todas as outras. Mas é importante deixar claro que não vamos abrir mão de nenhum critério técnico, nenhum rigor científico para aprovar uma vacina”, explicou Mendes.

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Mesmo com essa atualização no procedimento, segundo ele, ainda não é possível cravar nenhum prazo para a aprovação de vacinas contra a covid-19 no país.

“A Anvisa não se compromete com prazos. Existem fatores que não controlamos. Semana passada, por exemplo, interrompemos um estudo e isso gerou muita repercussão, mas em termos de ciência é importante. Quando recebermos os dados, falaremos. Temos atualmente quatro em estudo na fase mais adiantada, mas não vislumbramos quando vamos aprovar. Só quando recebermos os dados vamos nos comprometer com uma resposta.”