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Após rejeição da Anvisa, União Química diz que pode exportar doses da Sputnik V

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Vacina deve começar a ser produzida no Brasil em maio; se não houver aprovação por aqui, doses serão vendidas a países vizinhos

Fernando de Castro Marques, presidente do Grupo União Química, responsável pela Sputnik V no Brasil, disse nesta terça-feira (27) à Rádio Bandeirantes que as doses da vacina que forem produzidas em solo nacional poderão ser vendidas a países vizinhos se não houver aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para distribuição local.

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“Nossa fábrica de Guarulhos [onde a Sputnik V será envasada] está autorizada a funcionar, tudo publicado no Diário Oficial da União. Enquanto não produzimos o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) na fábrica de Brasília, vamos receber de Moscou para iniciar o processo de produção no princípio de maio. Nós assinamos um contrato de 10 milhões de doses com o Programa Nacional de Imunização (PNI), dependendo da autorização da Anvisa. Nosso primeiro compromisso é esse. Agora, se até começarmos a produzir não houver liberação, vamos destinar a outros países”, disse o presidente.

“Já tenho uma carta de intenção de 2 milhões de doses da Argentina, mas tenho esse compromisso com o PNI. Quero resolver isso. Sou brasileiro, meus filhos estão aqui (…). Mas sem autorização, o que vamos fazer? Eu queria vender menos relaxante muscular, menos produtos para intubação e mais vacinas para salvar vidas. É para isso que vamos continuar lutando”, completou.

A Anvisa rejeitou ontem (26), de forma unânime, o pedido feito por 14 governadores brasileiros de autorização excepcional para a importação do imunizante contra covid-19 desenvolvido na Rússia. Segundo a agência, o relatório técnico sobre padrões de qualidade da vacina não foi enviado ou localizado junto a autoridades de outros países onde o uso está permitido. Além disso, os técnicos afirmaram que a Sputnik V pode ser prejudicial, pois utiliza um tipo de vírus que pode se multiplicar, causando reações e riscos à saúde.

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“Essa foi uma demanda judicial dos estados para tentar conseguir vacinas. Os governadores tomaram a decisão de ajuizar na Suprema Corte, não participamos do processo. Fizemos o que manda a lei: pedimos a solicitação de importação no dia 15 de janeiro. De lá para cá, passamos a fazer reuniões semanais com Anvisa, Instituto Gamaleya, fundo russo. Completamos documentos, atendemos exigências, discutimos processos. A Rússia inicialmente não era reconhecida como um país de agência ‘top’, mas o Congresso a incluiu em março, sem nenhum voto contrário. O presidente da República sancionou a lei. Mas de que adianta se a vacina não pode ser usada aqui?”, questionou.

Fernando de Castro Marques ressaltou que os resultados de segurança e eficácia da Sputnik V foram divulgados e publicados na The Lancet, uma das mais renomadas revistas científicas do mundo.

“A primeira publicação foi com 12 mil pacientes, depois de 30 dias houve outra com mais 22 mil. É um trabalho de fase 3 muito consistente. A revista não publica sem acompanhar, auditar, checar. É uma das mais conceituadas do mundo. Não publica sem ter realmente convicção do que está fazendo. Estamos aguardando. Em maio, a Sputnik V será auditada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Será que vamos precisar esperar a aprovação na OMS para a vacina integrar o consórcio e salvar vidas no Brasil? Vamos lutar para conseguir antes.”

ENTREVISTA COMPLETA AQUI: