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Diretor do Butantan pede que a China “se sensibilize” e envie mais matéria-prima de vacinas

CoronaVac vacina contra covid-19

Dimas Covas teme que a aceleração da vacinação contra covid-19 na China possa afetar a importação de insumos e o cronograma no Brasil

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, fez um apelo ao governo da China nesta terça-feira (6) para que “se sensibilize” e destine ao Brasil um volume maior de matéria-prima para produção da CoronaVac. Ele teme que a aceleração da vacinação contra covid-19 por lá possa afetar a importação de insumos e, consequentemente, o cronograma de vacinação do Ministério da Saúde.

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“Como os contratos foram assinados tardiamente e os fabricantes já tinham seus compromissos, nosso desafio é adiantar a matéria-prima. Isso não estamos conseguindo. Temos um cronograma que poderia ser adiantado, mas os países têm seus compromissos. A própria China está vacinando de forma muito intensa, hoje é o país que mais vacina por dia, e tem seus compromissos. Estamos tentando, junto à embaixada e ao governo chinês, uma sensibilização no sentido de aumentar a oferta de matéria-prima”, disse à Rádio Bandeirantes.

“Capacidade de produção nós temos. Em março entregamos quase 23 milhões de doses. Isso foi possível porque conseguimos adiantar parte da matéria-prima. Agora precisamos adiantar o restante. Temos um contrato de 100 milhões com o Ministério da Saúde e estava previsto entregarmos tudo até setembro. Já conseguimos adiantar e pretendemos terminar em agosto. Se tivéssemos mais matéria-prima, poderíamos adiantar mais”, completou.

Segundo Dimas Covas, a capacidade de produção de vacinas pelo Butantan é de 1 milhão de doses por dia. Pelo menos por enquanto, não há alteração prevista no cronograma de entregas.

“Quando temos matéria-prima, chegamos no pico de quase 1 milhão. O que nos limita é o volume de matéria-prima. Chegando, produzimos rapidamente. Por isso estamos apelando (…). O ano de 2021 ainda será de luta intensa contra o vírus. Um ano de procura por vacinas. O Ministério da Saúde anunciou que tem contratado pelo menos 350, 400 milhões de doses. Se chegarem neste ano e vacinarmos 70% da população vacinável, em torno de 170 milhões de pessoas, é possível ter um impacto grande em relação à pandemia. Só que isso depende da chegada. Os contratos estão assinados, mas boa parte chegará apenas no segundo semestre. Passaremos o ano lutando por vacinas.”

Brasil pode ter 5 mil mortes por dia

O diretor do instituto comentou também a previsão feita ontem (5) de que o Brasil pode atingir em breve a marca de 5 mil mortes por covid-19 por dia.

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“Se não forem efetivas as medidas – que são amargas – de afastamento e contenção do vírus, podemos, sim, atingir essa cifra. As projeções neste momento indicam que esta semana será crítica para determinarmos qual é a inclinação da curva. Se continuar subindo, e esperamos que não, podemos atingir cifras inéditas beirando os 5 mil óbitos por dia. Ninguém deseja isso e esperamos que as medidas [de isolamento] tenham surtido efeito. Estamos avaliando e vendo números com atenção a cada dia.”

“Aqui no estado de São Paulo, a fase emergencial tem sido importante na contenção da circulação do vírus. O feriado prolongado teve como repercussão o aumento da taxa de isolamento. Ultrapassou 50%, chegou próximo de 60%, uma taxa muito efetiva. Se mantivermos assim por alguns dias, a taxa de transmissão cai muito rapidamente e lá na frente teremos diminuição em internações e óbitos. Não é imediato, o ciclo do vírus tem de 10 a 14 dias. Mesmo diminuindo, demora para cair as curvas. Mas é o que se espera.”

ENTREVISTA COMPLETA AQUI: