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Diretor do Butantan: ministério recusar vacina chinesa seria “total absurdo”

Vacina covid-19

Matéria-prima da CoronaVac chega neste mês ao Brasil; expectativa é ter 46 milhões de doses em janeiro

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse hoje em entrevista à Rádio Bandeirantes que uma eventual recusa do Ministério da Saúde em adquirir e aplicar nacionalmente a CoronaVac (caso ela passe por todas as etapas de testes e seja aprovada e registrada) seria um “total absurdo”. A vacina chinesa contra covid-19 está atualmente na fase 3 dos estudos clínicos e deve começar a ser produzida pelo Butantan ainda neste mês.

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“A vacinação no Brasil é feita gratuitamente através do programa nacional, que é o maior do mundo. Precisamos nos orgulhar disso. O SUS é um grande avanço na saúde pública e tem esse programa como excelente exemplo. 75% das vacinas distribuídas no país são entregues ao ministério pelo Butantan. Os brasileiros já tomam. Neste ano, o instituto entregou 80 milhões de doses da vacina da gripe. Um a cada três brasileiros tomou uma vacina feita aqui. Isso já mostra a dimensão do programa e do instituto. Esperamos que esse programa seja mantido, não pode mudar. Transformá-lo em programas estaduais ou municipais seria um grande retrocesso. Trabalhamos sempre para fornecer nossos produtos ao programa nacional. Isso só não acontecerá se ocorrer alguma recusa do ministério em incorporar essa vacina, o que seria um total absurdo.”

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Segundo Covas, a matéria-prima da CoronaVac deve chegar da China ao Brasil “em meados deste mês”. Assim que chegar, o Butantan dará início à produção. Com capacidade de fabricar 1 milhão de doses por dia, a expectativa é que em janeiro de 2021 tenhamos 46 milhões de doses. A fase seguinte, de aplicação, depende da conclusão dos testes e, finalmente, da aprovação por parte da Anvisa.

“Não se admite que uma vacina que não tenha sido testada e aprovada possa ser usada. Todas produzidas pelo Butantan são testadas e são seguras. Não seria diferente com essa – principalmente uma que tem essa importância em um momento de pandemia. O Butantan se esforça para fazer um produto de primeira linha, nesse momento o mais seguro em testes”, disse.

“A cada dia morrem 500 pessoas no Brasil. Cada dia conta. Temos que correr para ter a vacina o quanto antes (…). Não podemos nos perder em discussões menores, politizações. Vale chamar atenção para o fato de que a vacina inglesa [produzida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AztraZeneca] é produzia na China também! A matéria-prima também vem de lá. Não temos que brigar por ‘paternidade’. Muitos dos nossos medicamentos e equipamentos vem de lá. Rotular um produto por vir da China não faz sentido”, concluiu.

AGU fala em “vontade política”

Em resposta a ações de partidos de oposição que cobram apoio na compra da CoronaVac do Butantan, o governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não pode comprar uma vacina que ainda não tenha eficácia comprovada.

“A interferência do Poder Judiciário nesse campo deve ser vista de forma excepcional, cabendo somente em situações de flagrante omissão inconstitucional, o que não ocorre no presente caso, devendo, a nosso sentir, ser respeitada a vontade política, presente e futura, do Poder Executivo federal na aquisição de vacinas contra a Covid-19”, diz, em documento, o advogado da União Luciano Pereira Dutra. O advogado-geral da União, José Levi Mello, assina embaixo.