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Ex-membro do centro de contingência de SP critica flexibilização do uso de máscaras

Usuários do metro usam máscaras em São Paulo

Prefeitura da capital estuda desobrigar o uso de máscaras em espaços públicos ainda neste ano; governo do estado é contra

O infectologista Marcos Boulos, ex-integrante do centro de contingência do coronavírus de São Paulo, disse nesta quarta-feira (6) em entrevista à Rádio Bandeirantes que não é o momento para estado e prefeitura pensarem em desobrigar o uso de máscaras em espaços públicos. De acordo com ele, embora a vacinação esteja avançando, os índices de contaminação da covid-19 ainda estão estáveis e não apresentam uma diminuição considerada consistente.

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“Temos que observar não só os números da população vacinada, mas os números da pandemia. A variante Delta, que causou grandes estragos na Europa e nos Estados Unidos, não tem causado números tão intensos no Brasil, especialmente em São Paulo. Agora, os números estão estabilizados, não diminuindo. Quando tivermos um padrão epidemiológico de decrescimento de casos, com quase 100% da população vacinada, estaremos mais seguros. Até lá não. Precisamos manter o uso das máscaras e continuar evitando aglomerações”, disse.

O tema tem sido abordado de maneira diferente entre governo e prefeitura de São Paulo. O governador João Doria já afirmou que sua gestão continuará sugerindo a obrigatoriedade até, pelo menos, o dia 31 de dezembro.

O prefeito Ricardo Nunes, por sua vez, não estabeleceu datas, mas anunciou que poderá flexibilizar o uso da proteção na capital depois que 100% da população adulta estiver com o esquema vacinal completo (uma dose única da vacina da Janssen ou duas doses dos outros imunizantes).

Marcos Boulos deixou o comitê no último mês de agosto devido a divergências com o governador. “É ele [Doria] quem decide, obviamente. Mas quando era exposta para nós a ideia de flexibilização, o centro de contingência nunca era favorável. Em algum momento ele teria que tomar uma atitude. Não havia consonância. O que ele fez [reduzir a equipe] foi mais adequado para ele ficar mais tranquilo”, declarou ao blog na ocasião.

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Para o infectologista, a retirada das máscaras, quando foi autorizada, deverá ser feita de maneira gradual e em ambientes menos propícios à circulação do vírus, aqueles que possuem boa ventilação e pouca aglomeração.

“Andar na rua em um ambiente normal ou fazer algum esporte em ambiente aberto podem ser boas situações para começar a tirar a máscara. Agora, em locais fechados, como uma convenção com muitas pessoas e ar-condicionado, o ideal seria manter por um tempo”, explicou.

Comentando ainda o uso de máscaras, Marcos Boulos questionou também o retorno do público aos estádios de futebol. Segundo ele, os protocolos determinados pelas autoridades de saúde são bons, mas difíceis de serem cumpridos.

“Não é que os protocolos são ruins. Exigir que as pessoas estejam com esquema vacinal completo e usem máscara não é ruim. O problema é que não tem como ter vigilância para isso. Nos últimos jogos vimos que as pessoas estavam aglomeradas e sem máscara. Claro que a pandemia está próxima de terminar, pode ser nos próximos meses, esperamos isso, mas, para que aconteça, não podemos ter nenhum retrocesso. Nos Estados Unidos, descartaram o uso das máscaras e tiveram que voltar atrás. Repito: não é o momento, mas não está longe.”

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