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Pesquisador da Fiocruz critica falta de controle em aeroportos contra disseminação de variante

Aeroporto máscara coronavírus covid-19

Para Júlio Croda, aeroportos brasileiros deveriam monitorar a chegada de viajantes do Amazonas a outros estados e aplicar testes

Os aeroportos brasileiros não estão controlando de maneira adequada uma possível disseminação da variante do coronavírus identificada em Manaus, chamada de P1. A afirmação é de Júlio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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“Nossa maior preocupação é com os voos. Não temos controle nenhum. Manaus é uma cidade isolada. Ela se comunica com a região Norte através de algumas estradas, mas com o Sul, Sudeste e Centro-Oeste é por avião. A pessoa que chegar com a nova variante terá vindo de avião de Manaus. Por isso outros países proibiram a entrada de brasileiros. Nós não temos o controle adequado. Deveríamos estar monitorando melhor todo mundo que chega. Não vamos evitar, vai chegar a variante e talvez ela se dissemine pelo Brasil todo, mas, quanto mais tempo a gente postergar, melhor. Assim vai dar tempo de vacinar mais pessoas”, disse nesta quinta-feira (28) à Rádio Bandeirantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou, por meio de seu informe semanal, que a variante está atualmente em oito países. Na última terça (26), a Secretaria de Saúde de São Paulo também confirmou os três primeiros casos no estado (os primeiros no país fora do Amazonas). Eles foram identificados em amostras de pacientes com histórico de viagem ou residência em Manaus.

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Segundo o pesquisador, evitar a transmissão dessa e de outras variantes do coronavírus é “praticamente impossível”, mas, controlando a disseminação, pode-se diminuir o impacto da covid-19 nos serviços de saúde, diminuindo a lotação de hospitais e de leitos de UTIs, por exemplo.

“Todo viajante que chega de Manaus tem que ser avaliado. Se tem sintomas ou se não tem; se tiver, oferecer teste; pegar o telefone e o endereço e monitorar, manter em isolamento. Temos condição de fazer isso. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) faz essa parte de aeroportos muito bem. O que custa a atenção primária dos municípios ligar e perguntar se a pessoa teve febre, se está em casa? Não custa nada. Podemos fazer isso.”