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Comandantes deixaram Forças Armadas por “lealdade” a ex-ministro da Defesa, diz Onyx

Onyx Lorenzoni

Foi a primeira vez desde 1985 que os comandantes das três Forças Armadas deixaram o cargo ao mesmo tempo

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, disse nesta quinta-feira (1) em entrevista à Rádio Bandeirantes que vê com “naturalidade” a troca no comando das Forças Armadas e descartou qualquer possibilidade de “golpe” no país.

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“A substituição de ministros é um direito de um presidente. Quando tu tens um time, há momentos em que existem dificuldades tanto na administração de cada uma das pessoas quanto nas ações que elas desenvolvem. Vale para um time de futebol e para um time de gestores. O treinador tem todo direito de fazer substituições porque precisa que o conjunto funcione melhor e harmonicamente. Foi o que o presidente fez. Tenho profundo respeito e admiração pelo General Fernando [Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa]. Mas tanto ele como eu sabemos que estamos ministros temporariamente. Só o presidente e o vice são permanentes porque foram eleitos. O resto é substituível a qualquer momento por decisão unipessoal. É assim o regime do presidencialismo. Acredito que a maturidade dos comandantes militares fez com que essa troca fosse o menos traumático possível”, disse Onyx.

“É natural, pelo dever da lealdade que marca as relações dos comandantes com o ministro. Todos foram nomeados pelo ministro e chegaram ao comando, a maior responsabilidade que um militar pode ter. Eles tinham esse dever de solidariedade e lealdade àquele que os nomeou. Acho natural. Se tivesse na condição de qualquer um deles, eu faria a mesma coisa. Seria razoável que o novo ministro tivesse liberdade para estruturar o comando das Forças Armadas de acordo com sua visão. Vejo com absoluta naturalidade. Tanto é que essa agitação não durou mais de 48 horas. Já está tudo muito bem encaminhado”, completou.

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O novo ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, anunciou nesta quarta (31) os novos comandantes das Forças Armadas. O general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira assumirá o Exército, o almirante de esquadra Almir Garnier Santos assumirá a Marinha, e o tenente-brigadeiro do ar Carlos Baptista Junior assumirá a Aeronáutica.

Eles vão substituir Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica), que deixaram seus postos um dia depois de Fernando Azevedo e Silva ter deixado o ministério.

Foi a primeira vez desde 1985 que os comandantes das três Forças Armadas deixaram o cargo ao mesmo tempo fora do período de troca de governo, o que acabou gerando críticas por parte da oposição.