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Prefeito de São Bernardo defende toque de recolher em toda a região do ABC

Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo

Representantes do Consórcio Intermunicipal Grande ABC vão se reunir amanhã para debater a ampliação da medida

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), defendeu nesta terça-feira (23) à Rádio Bandeirantes que os prefeitos das outras cidades da região do ABC, na Grande São Paulo, “tenham bom senso” e também decretem toque de recolher como tentativa de diminuir a disseminação do coronavírus.

Após registrar crescimento no número de casos, internações e mortes por covid-19, a prefeitura da cidade anunciou ontem (22) que haverá toque de recolher entre 22h e 5h a partir do próximo sábado (27). Representantes do Consórcio Intermunicipal (Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) vão se reunir amanhã (24) para debater o assunto.

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“Durante a pandemia, atendi vítimas de todo o ABC. Ontem havia 60 pacientes de Diadema e Mauá nas unidades de São Bernardo. Não negamos atendimento, todos são brasileiros, mas está estrangulando o sistema. Amanhã teremos reuniões com outros prefeitos e espero bom senso e compreensão. Se pudermos fazer [o isolamento] de maneira generalizada, facilita”, disse Morando.

“Jamais vou interferir, dou sugestões, nós temos um bom diálogo. Vou explicar que tomei essa medida porque a procura por leitos de UTI disparou. Se eu demorasse mais, pioraria. Se os prefeitos entenderem que suas cidades exigem essas demandas extremas, espero que adotem. É provável que sim”, completou.

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O prefeito de São Bernardo ressaltou que o toque de recolher é uma tentativa de evitar lockdown, o fechamento total, medida que seria ainda mais nociva à economia. Simultaneamente à restrição, Morando suspendeu o retorno às aulas presenciais na rede pública. A volta, que aconteceria inicialmente no dia 1º de março, ficou para o dia 15 de março.

“Eu sabia que seria criticado. Quem ocupa essa posição precisa decidir, não dá para pensar em agradar mais ou menos. O ideal seria ter vacina para todos. Assim discutiríamos como gerar emprego, como abrir comércios, fábricas. Hoje estamos na contramão, debatendo como fechar com o menor impacto. Por isso, a partir do sábado, teremos toque de recolher. Isso significa que nada além de hospitais e farmácias poderá funcionar, nem mesmo o transporte coletivo. A ideia é ‘desconectar’ a cidade, já que o período noturno tem alta capacidade de disseminação do vírus e é mais difícil fiscalizar.”

“Não culpo as pessoas. A ‘culpada’ por a pandemia ainda não ter solução é a política. A responsabilidade é nossa. É do negacionismo. Um dia é ‘gripezinha’, no outro é ‘vacina da China’… Estamos chegando a um ano e, enquanto Israel já vacinou quase metade da sua população, nós não vacinamos 5%. Por isso somos obrigados a tomar medidas de controle (…). O toque de recolher é para evitar um lockdown, o que seria mais nocivo à economia já esta prejudicada.”