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“Vacinas não são suficientes, mas a roda começou a girar”, diz presidente da Anvisa

O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres

Segundo Antônio Barra Torres, início da vacinação a populações controladas no país tem “grande valor simbólico”

O presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barra Torres, disse nesta segunda-feira (18) à Rádio Bandeirantes que as doses que o Brasil já possui das vacinas contra covid-19 aprovadas para uso emergencial [Coronavac e Oxford/AstraZeneca] não são suficientes, mas que esse início deve ser celebrado.

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“Ontem tivemos a autorização de uso com três qualificadores: emergencial, temporário e experimental. Esse uso é para uma população bem definida e restrita, não a população inteira. Hoje mesmo falaram na imprensa que não vamos ver aquelas cenas de filas no Brasil de pessoas indo buscar a vacina. Nessa fase, a vacina vai buscar as pessoas. São populações controladas, profissionais de saúde, idosos, cuidadores, indígenas. Não é uma vacinação ampla. Esse número [de doses] é suficiente para essa população? Com certeza não é. Mas a roda começou a andar”, disse o presidente da Anvisa.

“Isso também tem um valor simbólico muito importante. Eu sempre disse isso, pode resgatar. Desânimo, medo, insegurança, mau humor, agressividade, essas sensações golpeiam nosso sistema imunológico. O ser humano precisa sorrir, acreditar no futuro. Quando você tira a esperança, ele adoece. Hoje, nós que temos conhecimento de números podemos ter alguma preocupação maior, mas há uma boa notícia. A roda começou a girar e só posso crer que vai girar cada vez com uma velocidade maior. Aumentando e englobando parcelas maiores da população. Em breve teremos o registro pedido e a possibilidade de vacinar mais pessoas. E estamos acompanhando de perto a questão do fornecimento de insumos para que tanto a CoronaVac como a Oxford/AstraZeneca possam produzir mais doses. Isso interessa a todos nós e precisa ser acertado”, completou.

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A Anvisa autorizou neste domingo (17) o uso emergencial de duas vacinas no país: a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e o imunizante produzido pela Universidade de Oxford com a farmacêutica sueca AstraZeneca e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).  

Minutos depois do aval, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), deu início à aplicação no Hospital das Clínicas da capital. A primeira brasileira imunizada em solo nacional foi a enfermeira Monica Calazans, de 54 anos, que trabalha na UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e faz parte do grupo de risco por ter obesidade, hipertensão e diabetes.

Segundo o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a vacinação começará nos estados ainda nesta segunda com apoio de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) na distribuição. O presidente da Anvisa explicou que, neste processo, a vacinação pode ser interrompida se houver a identificação de algum problema.

“Podemos interromper. Mais: temos o dever. Se identificarmos algum óbice que seja sustentável cientificamente temos esse poder como reguladores. Esperamos que não aconteça. Ontem na reunião tivemos apresentação da gerência-geral de monitorização mostrando um plano em que entram Anvisa, Butantan, Fiocruz e laboratórios, para monitorizar os resultados desta fase que é pré-pedido de registro. É aquele ajuste fino que poderá ter que ser feito – e que só dá para ser feito com monitoramento. Se identificarmos alguma ameaça ao cidadão, nosso principal foco, logicamente faremos alguma interrupção para ajuste. Sempre desejando que não aconteça. Tivemos uma interrupção no protocolo da CoronaVac no passado que sofreu críticas de pessoas que não acreditaram na motivação científica. Mas quero crer que a reunião de ontem mostrou a competência das equipes. Tem coisas que o tempo confirma. Ontem isso se confirmou, se alguém ainda tinha dúvida.”